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segunda-feira, 19 de março de 2012

Reflexão Quarto Domingo Quaresma



QUARTO DOMINGO DA QUARESMA

Livro do 2º Crônicas 36,14-16.19-23.

Naqueles dias, todos os príncipes dos sacerdotes e o povo multiplicaram as suas infidelidades, imitando os costumes abomináveis das nações pagãs, e profanaram o Templo que o Senhor tinha consagrado para Si em Jerusalém. O Senhor, Deus de seus pais, desde o princípio e sem cessar, enviou-lhes mensageiros, pois queria poupar o povo e a sua própria morada. Mas eles escarneciam dos mensageiros de Deus, desprezavam as suas palavras e riam-se dos profetas, a tal ponto que deixou de haver remédio, perante a indignação do Senhor contra o seu povo. Os caldeus incendiaram o Templo de Deus, demoliram as muralhas de Jerusalém. Lançaram fogo nos seus palácios e destruíram todos os objetos preciosos. O rei dos caldeus deportou para Babilônia todos os que tinham escapado ao fio da espada e foram escravos deles e de seus filhos, até que se estabeleceu o reino dos persas. Assim se cumpriu o que o Senhor anunciara pela boca de Jeremias: «Enquanto o país não descontou os seus sábados, esteve num sábado contínuo, durante todo o tempo da sua desolação, até que se completaram setenta anos». No primeiro ano do reinado de Ciro, rei da Pérsia, para se cumprir a Palavra do Senhor, o Senhor inspirou Ciro, rei da Pérsia, que mandou publicar, em todo o seu reino, de viva voz e por escrito, a seguinte proclamação: "Assim fala Ciro, rei da Pérsia: O Senhor, Deus do Céu, deu-me todos os reinos da terra e Ele próprio me confiou o encargo de lhe construir um Templo em Jerusalém, na terra de Judá. Quem dentre vós fizer parte do seu povo ponha-se a caminho e que Deus esteja com ele".

Reflexão
1)    “Os príncipes dos sacerdotes e o povo multiplicaram as suas infidelidades, imitando os costumes abomináveis das nações pagãs”:  O povo de Israel, incluídas as lideranças religiosas, se deixa arrastar pelos outros povos. Não foram capazes de ser luz para os outros povos. Faltou-lhes interiorização espiritual. Isto mesmo pode acontecer hoje com os cristãos. Não esqueçamos que Jesus nos deixou uma tarefa fundamental: Vocês são a luz do mundo... Vocês são o sal da terra (Mt 5, 13-14).

2)    “Deus, desde o princípio e sem cessar, enviou-lhes mensageiros”: Toda a Bíblia testemunha do amor inquebrantável de Deus, que acompanha o povo na sua caminhada histórica, que não o deixa sozinho, que propõe ajudas (a Lei, os mensageiros, etc.).  Existe, pois, uma pedagogia divina. O que deve ser examinado e avaliado é a atitude e a resposta do povo. Qual é nossa resposta?

3)    “Mas eles escarneciam dos mensageiros de Deus, desprezavam as suas palavras e riam-se dos profetas”: A reclamação que o autor do livro faz ao povo é da sua atitude de rejeição, de descuido e de superficialidade espiritual. Qual é a nossa atitude diante dos mensageiros de Deus? Sabemos discernir entre os verdadeiros e os falsos profetas? Quem são os profetas  hoje?

4)    “Os caldeus incendiaram o Templo de Deus, demoliram as muralhas de Jerusalém. Lançaram fogo nos seus palácios e destruíram todos os objetos preciosos”: O texto alude a invasão babilônica. Note-se que o autor está falando de um ponto de vista teológico: a situação de pecado e de obstinação chega a tal ponto que Deus (que tem sido rejeitado e não escutado) decide deixar o povo a sua sorte, se confrontando com as consequências do seu comportamento. Este silêncio de Deus é interpretado (posteriormente) como “castigo de Deus”. Qual é a idéia que nós fazemos desta noção teológica chamada “castigo de Deus? Algumas vezes pretendemos que Deus nos escute e aja em favor nosso, quando com frequência fechamos nossos ouvidos à sua Palavra. Por que esta inconsistência?

5)    “Assim se cumpriu o que o Senhor anunciara pela boca de Jeremias: «Enquanto o país não descontou os seus sábados, esteve num sábado contínuo, durante todo o tempo da sua desolação, até que se completaram setenta anos»: Note-se a expressão (um sábado contínuo): um tempo de espera, de reflexão, de solidão, de penitência purificadora... Com a esperança de um acontecimento novo por parte de Deus. Na espiritualidade cristã é o sábado Santo; sábado de espera do grande acontecimento da ressurreição. É um tempo teológico e não simplesmente um dia cronológico. É claro que o castigo não é definitivo, porque o que Deus pretende com seu silêncio não é acabar com o povo senão  formá-lo, chamá-lo à conversão, abrir seu coração.

6)    “O Senhor inspirou Ciro, rei da Pérsia”: Ciro aparece nesta narração como instrumento de Deus. Ele é uma das inúmeras mediações históricas das quais Deus se serve para realizar o seu Projeto de Salvação. Neste caso a mediação tem uma característica especial: trata-se de um Rei estrangeiro: a salvação chega através da mediação de um estrangeiro. A mensagem é clara: Deus não é só o povo de Israel, mas o Deus da humanidade toda, e, portanto, a salvação é para todos. Aquilo que o povo não foi capaz de fazer (ser luz para os outros), um estrangeiro o realiza para o bem de Israel. Estamos preparados para acolher os sinais que Deus nos envia através de mediações extra eclesiais? Como nos situamos diante da expressão “fora da Igreja não há salvação?

7)    “Quem dentre vós fizer parte do seu povo ponha-se a caminho e que Deus esteja com ele”: O texto termina de uma forma positiva: abre-se uma nova etapa de salvação para o povo. Deus não guarda rancor. O que Ele quer, neste momento, é que o povo levante a cabeça e se concentre num esforço de reconstrução.

8)   Voltemos sobre o texto e identifiquemos a sua estrutura. Podemos identificar 6 momentos: 1) pecado; 2) ajuda de Deus; 3) rejeição da ajuda (obstinação); 4) silêncio de Deus / deportação (castigo pedagógico); 5) nova ajuda de Deus; 6) projeto reconstrutor.  Este processo é o que – na perspectiva cristã - deve viver a Igreja (cada cristão/cristã). Para isto foi escolhido este texto e introduzido na liturgia da Igreja.  Como estamos vivendo este tempo da quaresma proposto pela Igreja? Peguemos o tempo para identificar em nossa vida este processo teológico proposto pelo texto da primeira leitura.

9)   Tendo clara a mensagem da primeira leitura podemos ver que o Salmo está fazendo claro eco à experiência da deportação do povo da Babilônia. Vejamos:
Salmos 137(136)

Junto aos rios da Babilônia
nos sentamos a chorar, 
recordando-nos de Sião (Jerusalém). 
Nos salgueiros das suas margens,
penduramos as nossas harpas. 
Os que nos levaram para ali cativos
pediam-nos um cântico; 
e os nossos opressores, uma canção de alegria:
«Cantai-nos um cântico de Sião».
Como poderíamos nós 
cantar um cântico do Senhor

estando numa terra estranha? 
Se me esquecer de ti, Jerusalém, 
fique ressequida a minha mão direita! 
Pegue-se-me a língua ao paladar,
se eu não me lembrar de ti

se não fizer de Jerusalém 
a minha suprema alegria!

     O Salmo lembra com amargura a época do desterro da Babilônia. Época de silêncio de Deus; tempo teológico de castigo; de crise, de necessidade de reflexão (para ver porque aconteceram estas coisas); tempo de conversão.
     O povo experimenta a caçoada dos estrangeiros, que lhes convidam a cantar (sinal de alegria) um salmo (cântico de Sião) no meio de uma situação triste. O que para o povo no desterro é importante (o salmo que expressa a aliança com Deus) para os outros povos (neste caso o estrangeiro) é sinal de brincadeira.
     O povo tem aprendido a lição; sabe que tudo o que aconteceu foi consequência do seu pecado. O povo se esqueceu de Deus, não foi fiel a Aliança, não escutou a voz de Deus, rejeitou seus servidores. Por isso, agora, é capaz de afirmar: Pegue-se-me a língua ao paladar, se eu não me lembrar de ti. Quando nos afastamos de Deus a vida se desconfigura, se desestrutura, se torna triste e sem sentido.

10) Terminemos esta reflexão lendo e meditando o Evangelho.  
S. João 3,14-21

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: «Assim como Moisés ergueu a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do Homem seja erguido ao alto, a fim de que todo o que nele crer tenha a vida eterna. Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigênito, a fim de que todo o que nele crer não se perca, mas tenha a vida eterna. De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crê no Filho Unigênito de Deus.
E a condenação está nisto: a Luz veio ao mundo, e os homens preferiram as trevas à Luz, porque as suas obras eram más. De fato, quem pratica o mal odeia a Luz e não se aproxima da Luz para que as suas ações não sejam desmascaradas. Mas “quem pratica a verdade aproxima-se da Luz, de modo a tornar-se claro que os seus atos são feitos segundo Deus».

Caminhada Penetencial

 

 

 

 


 

sábado, 10 de março de 2012

Reflexão Terceiro Domingo Quaresma



TERCEIRO DOMINGO DA QUARESMA
Leituras
Êxodo 20,1-17; Salmo 18; 1Coríntios 1,22-25; João 2,13-25
Gostaria de convidar vocês a centrar atenção no texto do Evangelho proposto para este terceiro domingo do tempo da quaresma.
Para entender o sentido do texto do Evangelho deste domingo é preciso levar em conta a densidade do clima de expectativa religiosa que se vivenciava em Israel no tempo de Jesus. O panorama religioso judeu não era uniforme. Havia distintos grupos e cada um deles com suas especificidades teológicas e ideológicas, num mundo em que religião e política eram inseparáveis. Todos os grupos religiosos judeus esperavam a irrupção do Reino de Deus e, a vinda do Messias, que devia inaugurá-lo.
Para os Zelotas havia chegado – assim pensavam eles – a hora de tomar as armas e se desfazer da dominação romana, para assim instaurar o Reino de Deus. Eles não aceitavam que o povo, o Templo e o culto estivessem sujeitos ao Império.   
Os Saduceus simpatizavam com o Império ou – pelo menos – queriam se congraçar com ele. Para eles bastava manter a contento o império na medida em que o mesmo não afetasse demais os seus interesses de classe. Por isso, eram vistos pelo povo com desconfiança e ódio.
Os Essênios haviam optado por abandonar a cidade (que consideravam “corrupta”) para se estabelecer no deserto (perto do Mar Morto) no território conhecido como Qumram. Haviam denunciado certa corrupção que tinha se instalado no Templo e no sistema religioso da época. Eles esperavam – entre purificações, oração e estudo da lei – o momento oportuno (kairós).
Os Fariseus consideravam, igualmente, que a dominação romana era um peso insuportável e que deviam recuperar a autonomia do Templo. Porém, eles não entraram em nenhum movimento violento ao estilo dos Zelotas, mas dedicaram-se ao estudo e observância estrita da lei, que  nessa época, tinha se transformado num sistema de normas bastante complexo e difícil, impedindo assim que as pessoas pudessem viver uma experiência libertadora do religioso. Além do mais, por causa da mentalidade legalista deste grupo religioso, muitos se sentiam excluídos da possibilidade de participação na vida religiosa oficial (não tinham direito a salvação). Alguns destes fariseus tinham caído numa atitude arrogante e orgulhosa, que Jesus criticará duramente.  
Jesus e a sua comunidade de discípulos se distanciam destes grupos e destas propostas religiosas. Sem dúvida, Jesus denuncia a manipulação a que está submetida a religião, a exclusão de alguns setores da população, especialmente a exclusão dos pobres e dos pecadores.
Tendo em conta este clima de expectativa religiosa devemos dar mais um passo. Para o autor do quarto Evangelho é muito importante relacionar  Jesus, o seu itinerário e sua comunidade de discípulos com o calendário religioso judaico. O objetivo desta relação é afirmar que Jesus é o novo Messias e aquele em quem se realizam as antigas promessas contidas nos textos do AT. Neste paralelo entre Jesus e o calendário religioso judaico quer se afirmar que Jesus traz uma nova maneira de compreender a experiência religiosa, pois com Ele a antiga lei é superada e realidades como o Templo, o culto, o sacrifício devem ser repensados, pois assim como estão já não tem legitimidade.  O evangelista quer afirmar que em Jesus e com Jesus, Deus Pai realiza uma nova e definitiva aliança. Portanto, o ponto de referência já não é mais o antigo sistema religioso, mas a pessoa de Jesus, pois Dele se desprende uma nova maneira de se relacionar com Deus, um novo culto (por isso dirá à samaritana que os verdadeiros adoradores adorarão em espírito e em verdade) é uma aliança que supera as expectativas que até esse momento o povo tinha almejado. Assim, o sistema religioso tradicional é contrastado e entra em crise. Aparece um novo tempo: o tempo (kairós) inaugurado por Jesus.
O relato deste domingo apresenta então uma comunidade nova (a comunidade dos seguidores de Jesus) que se distancia progressivamente do Judaísmo e que quer afirmar sua própria identidade. Vamos ver na continuação alguns aspectos chaves do texto:
1.   Trata-se de purificar o Templo e de reconfigurar a noção que se tem dele.  A atitude de Jesus é uma verdadeira revelação: Jesus se apresenta com a autoridade do Messias, capaz não só de interpretar autenticamente a tradição religiosa, mas de julgar e até declarar abolidas algumas ideias e práticas consideradas intocáveis e imutáveis. Lembremos que o Templo de Jerusalém era para o povo a instituição fundamental, o centro da vida do país e o símbolo da glória e do poder da nação.
2.   Ao fazer este “ato de purificação” Jesus se afirma como o Messias que traz o Reino de Deus (o projeto de Deus) ao povo. O evangelista quer deixar claro que com Jesus se inaugura uma nova etapa na História da Salvação.
3.   Ao expulsar os comerciantes (negociantes) Jesus está rejeitando radicalmente a prática de transformar o religioso num negócio. Com esta ação simbólica de alto calibre Jesus declara a invalidade do culto dos potentados que tinham se apoderado do Templo e, portanto, do sistema religioso. Um culto (uma religião) que se torna instrumento de exploração do povo, especialmente dos pobres é inaceitável. Com sua ação Jesus não está promovendo uma simples reforma deste sistema senão a sua abolição.
4.   Liberando as ovelhas Jesus liberta o povo. Lembremos que a ação de Jesus é de profunda dimensão simbólica. Nos escritos do Antigo Testamento o povo era comparado com um rebanho de ovelhas conduzido por Deus (seu autêntico Pastor). Deus tinha confiado estas ovelhas aos dirigentes (religiosos e políticos) para que cuidassem delas. Porém, eles tinham traído esta missão e estavam se aproveitando do rebanho. Isto foi denunciado muitas vezes pelos profetas (entre eles Ezequiel). No sistema comercial do Templo, as ovelhas eram os animais destinados ao sacrifício: estavam no Templo, mas não para serem cuidadas senão para serem sacrificadas, assassinadas. Ao liberá-las Jesus está simbolizando a libertação do povo. Os pastores colocados a serviço das ovelhas não eram dignos desta missão. Por isso, Jesus em pessoa retoma o seu posto, como PASTOR. Isto é o que encontramos no capítulo 10 do Evangelho segundo João. Ele é o verdadeiro Pastor que dá a vida pelas ovelhas... O pastor ladrão não pensa nelas senão nos seus interesses e quando percebe o perigo abandona-as... Não é capaz de se expor por elas para salvá-las.
5.   Os cambistas (negociantes) representam o sistema financeiro. Todos os homens maiores de 21 anos deviam pagar tributo anual ao Templo e muitos donativos iam para o Templo. Para pagar o tributo não se podia fazer com moeda do Império. O Templo cunhava sua própria moeda. Óbvio, que os cambistas cobravam sua comissão. Ao derrubar as mesas e jogar pelo chão as moedas, Jesus desautoriza o sistema dos tributos religiosos. O Templo deve ser um lugar de encontro com o amor de Deus e não um lugar de exploração.
6.   A ação contra os vendedores de pombas é igualmente significativa. As pombas eram os animais de menor valor econômico para o sacrifício. Simbolizam os pobres que não tem com que comprar a salvação (segundo o esquema comercial religioso que estava organizado no Templo). Os pobres foram sempre a maior preocupação de Jesus. A religião deve cuidar do pobre em lugar de maltratá-lo. Isto é o que Jesus quer afirmar.
7.   O Templo tem perdido seu sentido, o culto tem se pervertido, a relação com Deus tem se desfigurado. É preciso resgatar estas realidades. Ao chamar o Templo “Casa do meu Pai” Jesus dá a ele uma identidade familiar: O Pai não cobra dos filhos seu amor... Deus não faz negócio com a salvação... Deus é gratuidade (graça). O Templo deve ser lugar para a experiência do amor, do encontro, da gratuidade, da salvação, da fraternidade.
8.   O Templo material seguirá sendo importante como lugar de encontro, de oração, de celebração da fé... Mas esse Templo material (todos os Templos) só terão sentido se primeiro cada pessoa se reconhece como templo vivo onde Deus mora e reconhecem também os outros como templos que merecem respeito. São Paulo o entendeu perfeitamente por isso escreveu: “Vocês são templos do Espírito Santo”.

Boa semana!

sexta-feira, 9 de março de 2012

Bazar na Comunidade da Libertação


Avisos


  • Aberta as inscrições para Batismo, primeira Eucaristia e Crisma Para jovens e adultos. Maiores informações e inscrições durante a semana na secretaria da Paroquia
  • Próximo domingo, dia 11 de março, a Missa (Matriz) sera do horário das 06:30 da manhã em virtude da CAMINHADA PENITENCIAL.
  • O MESC, convida os paroquianos para Adoração ao Santíssimo de 08:00 ás 10:00 da manhã.
  • Aberta as inscrições para o CURSO DE NOIVOS da Paroquia. Inscrições apos a Missa no Salão Paroquial com a Pastoral da Família. 
fonte: avisos da matriz 08 de março de 2012 

Palestra sobre a Campanha da Fraternidade 2012



 Na terça-feira dia 6 de março de 2012, na Igreja Matriz Menino Deus, aconteceu a palestra sobre a Campanha da Fraternidade 2012. Foi apresentado pelo Nilton Gonçalves, que falou sobre o tema da campanha  "Que a saúde se difunda sobre a terra". A palestra foi aberta para dos os paroquianos.







quarta-feira, 7 de março de 2012

Reflexao Segundo Domingo Quaresma


2º DOMINGO DA QUARESMA - 04 DE MARÇO DE 2012 - 
I. Faça uma leitura pausada das seguintes leituras: 
 
Gênesis 22,1-2.9-13.15-18 
Salmo: 115
Romanos 8,31b-34 
Marcos 9,2-10 
 
II. Reflexão:
Gênesis 22,1-2.9-13.15-18 

O objetivo original deste texto é insistir na supressão dos sacrifícios humanos, que foram praticados pelos povos que estavam estabelecidos na terra de Canaã, na época em que o Povo de Israel se estabeleceu neste território.  Podemos perceber claramente a mudança de vítima: Isaac é substituído por um animal. Deus não quer sacrifícios humanos e, óbvio, não quer que o ser humano seja sacrificado por condições injustas de vida.

O texto insiste também na figura de Abraão. Tal como aparece na Bíblia, Abraão é um modelo para o crente do Povo de Israel. Também para o cristão, Abraão pode ser um modelo que ajude o discípulo de Jesus na sua caminhada espiritual. Três características de Abraão chamam particularmente a atenção: a escuta da Palavra de Deusa obediência a Deus e a generosidade (Ele é capaz de entregar tudo). O leitor que meditar esta leitura deve examinar a partir destas características, a sua fé.

A leitura quer também sublinhar um aspecto importante na experiência da fé: a gratuidade. Essa gratuidade consiste na capacidade de se desprender daquilo que Deus tem dado (neste caso o Filho) para ficar só com Deus. Com frequência o crente pode fazer depender sua fidelidade a Deus, motivado pelos dons que d’Ele recebe. É preciso permanecer fiel a Deus não pelos dons que Ele dá, mas, porque Deus é Deus. Isto é o que quer afirmar o relato. A mesma lógica aparece proposta na primeira parte do livro de Jó.

Deve-se ter cuidado de pensar que Deus pede uma obediência cega por parte do ser humano. A obediência cega não é humana. A obediência deve ser razoada e razoável. Devemos obedecer aquilo que é concorde com os grandes valores e se ajusta a um projeto que protege a vida e a dignidade humana. É preciso, portanto, saber obedecer e também saber desobedecer.

É interessante perceber que o relato desabrocha numa bênção: Deus abençoa Abraão pela sua fé, fidelidade e obediência; Deus reorienta o sentido do sacrifício e transforma Abraão numa bênção para os outros. Esta mesma experiência acontece na verdadeira caminhada espiritual. Deus nos abençoa e nos transforma em bênção. Ser uma bênção para os outros é a nossa missão.

É importante não esquecer que para o leitor atual do relato, é claro que se trata de uma provação a qual Abraão é submetido, mas, se nos situarmos no lugar de Abraão deveremos captar que ele não sabe. 

Salmo: 115


O Salmo 115 quer reforçar o conteúdo proposto pela primeira leitura. Trata-se de uma ação de graças, que pretende motivar o crente para viver uma experiência de fé viva. O salmista passou por uma experiência de enfermidade grave, mas Deus o liberta. O salmista interpreta isto como um sinal do grande amor de Deus e canta. Aparecem no Salmo alguns aspectos chaves na caminhada da fé:

1.     A verdadeira fé não se esgota na dimensão ritual. O crente deve caminhar na presença de Deus. Só aquele que ama e pratica o bem caminha “na presença de Deus”. Na verdade sempre estamos na presença de Deus. O que compete ao crente é ter consciência desta presença e agir em harmonia com o Deus que se torna seu companheiro de vida. 

2.     O salmista mantém a fé ainda no momento da provação. A fé aparece – desde a experiência do salmista – como uma atitude profunda de confiança no amor de Deus, na sua misericórdia. 

3.     Deus não quer a morte dos seus filhos (aqui está o eco à primeira leitura).

4.     O crente compreende que diante do amor de Deus ele não pode senão ser seu servidor. Ser servidor de Deus e de seu projeto não é algo que deva ser entendido como uma perda de autonomia ou como diminuição da liberdade. É preciso então distinguir entre ser servidor e ser servil. Deus quebra as cadeias que escravizam a pessoa para que esta, gozando de sua liberdade, se torne servidora. 

5.     Toda esta experiência de amor e de passagem da escravidão para o serviço leva o salmista a cantar, a oferecer à Deus um sacrifício de louvor, mas esse sacrifício de louvor não é já o sacrifício de uma pessoa (rejeitado já pela primeira leitura), senão a maneira de viver na verdade, na justiça e no serviço. Esse é o verdadeiro sacrifício de louvor. Por isso, do que se trata não é de multiplicar os sacrifícios rituais e externos senão de “cumprir a Deus os votos”. Isto equivale a ser fiel a Deus que tem feito conosco uma aliança de amor.


Marcos 9,2-10 


O Evangelho completa a proposta desta semana convidando-nos a caminhar com Jesus e a subir com Ele a montanha santa, para viver a transfiguração. Este relato da transfiguração, que teologicamente se apresenta como uma PÁSCOA antecipada que prepara os discípulos para assumir o drama da paixão, está construído como um conjunto de elementos simbólicos que devem orientar a experiência espiritual:

·        A palavra transfiguração nos situa no terreno da transformação, do câmbio. Aqui se trata da transformação que Deus opera nas pessoas, da transformação que a autêntica caminhada espiritual deve suscitar. Notemos que esta transformação acontece na montanha (subir a montanha não é simplesmente um exercício físico. Na Bíblia é o símbolo da caminhada espiritual, da busca de Deus, do diálogo com Deus). Uma pessoa que vive uma forte experiência de encontro com Deus não pode não viver a sua transfiguração.
·        O texto começa indicando que a subida à montanha santa e a transfiguração acontecem seis dias depois de ter começado a viagem que terminará em Jerusalém com a Paixão (a entrega total). Estes “seis dias” trasladam o leitor ao texto do Livro do Gênesis em que Deus está criando. O que está acontecendo nesta caminhada de Jesus com seus discípulos e o que vai se revelar no Monte Santo com a transfiguração é uma nova criação. Deus em Jesus está operando uma nova criação.
·        Jesus chama três dos seus discípulos. Estes discípulos representam a comunidade toda; os discípulos de todos os tempos. Atenção ao número três. Cada discípulo (a) de Jesus deve se sentir chamado (a) a caminhar com Jesus, a participar do seu projeto (o Reino de Deus), a continuar a sua missão, a entrar na sua Paixão e correr o risco da doação total.
·        Insiste-se na cor branca que deslumbra os discípulos.  A cor branca simboliza a pertença a Deus, a integridade da mudança operada. O crente já não pertence ao mal senão ao bem, está a serviço do bem e orienta toda sua vida ao encontro do BEM SUPREMO, Deus.  As vestes brancas expressam externamente a vida interior. As vestes brancas simbolizam a vida que Deus dá e que o crente deve cuidar. Por isso, estas vestes brancas aparecem ritualmente na celebração do batismo. O compromisso é conservar brancas as vestes... permanecer unido a Deus.
·        Aparecem dois personagens importantes do Antigo Testamento (Moisés e Elias), que falam com Jesus. Trata-se de um encontro especial do Antigo Testamento com o Novo Testamento; das promessas com seu cumprimento e realização na pessoa de Jesus. Esta é uma maneira muito criativa de mostrar que tanto a Lei como os Profetas apontam para Jesus e n’Ele se explicita o seu verdadeiro sentido. Jesus é o definitivo profeta de Deus e aquele que promulga a Nova Lei, que já não consiste no Decálogo, mas no único mandamento do amor a Deus e ao próximo.
·        Pedro e seus companheiros querem fazer três tendas: A tenda é algo muito importante para as comunidades nômades. Lembremos que o Povo da Bíblia originalmente foi um povo nômade. Lembremos a tenda do encontro, plantada no centro da comunidade que caminhava seguindo a direção que Deus dava através de Moisés. As tendas, então, no relato da transfiguração, nos colocam em relação com a experiência do Êxodo: caminhar, guiados por Deus, para conquistar a liberdade e entrar na aliança de vida com Ele. O Povo guiado por Moisés é um grande grupo que caminha (vive) com Deus no centro. Isto é o que devemos viver. A importância desta tenda não estava nela mesma, senão no encontro com Deus. O mesmo pode ser dito dos nossos templos e das nossas capelas: o importante não é elas em si mesmas, mas no encontro com Deus...elas existem para nos ajudar a viver esse encontro.
·        Notemos a presença do número três (3): 3 seres celestiais (Moisés, Elias, Jesus); 3 discípulos (Pedro, Tiago e João), 3 Tendas (Êxodo). Três = comunidade, perfeição, plenitude. Trata-se da proposta de construir comunidade para procurar a perfeição no amor.   Este projeto não está feito; os discípulos devem trabalhar neste projeto ao descer da montanha, por isso não ficam no cume, mas vão ao encontro do povo...; devem enfrentar o risco da missão. Nós tambémdevemos descer da montanha (sair dos templos) para encontrar a comunidade (família-sociedade) e construir comunidades vivas no amor de Deus.   A experiência da transfiguração envia os discípulos a missão. Isto é válido também para nós, hoje.
·        E esta experiência está acompanhada pela nuvem: com este fenômeno o evangelista nos transporta aos relatos teofânicos do Antigo Testamento: Deus se torna presente e fala a comunidade. A nuvem significa chuva e vida, realidades ligadas a Deus e lidas como benção. A nuvem é, pois, sinal visível da presença de Deus que acompanha o povo pelo caminho; ainda mais, presença que mostra o caminho, a direção. E desta nuvem sai uma Palavra de revelaçãoEste é o meu filho muito amado, escutai-o. Trata-se de uma apresentação formal: Deus Pai apresenta seu Filho ao mundo e pede dos ouvintes uma atitude fundamental:escutar.  Escutar Jesus para aprender d’Ele a verdadeira sabedoria divina. Como estamos vivendo esta experiência? Trasladamo-nos ao livro do Deuteronômio em que Moisés interpela o povo dizendo: Escuta, Israel.

III. Para a reflexão pessoal

Para terminar, proponho alguns pontos que podem nos ajudar nesta caminhada espiritual da Quaresma.

1)     Acredito na Palavra de Deus do mesmo modo que Abraão acreditava nela?
2)     Sou capaz – como Abraão de entregar tudo a Deus?
3)     Assumo tarefa de subir a montanha para procurar em Deus a direção da minha vida?
4)     Como a experiência vivida na Igreja está me ajudando a entrar realmente num processo de transfiguração?

domingo, 4 de março de 2012

Jovens da Paroquia no Bote Fé


 
 
 


 



Fiéis recebem símbolos católicos em evento neste sábado em Fortaleza



Cruz e Ícone de Nossa Senhora da Jornada da Juventude visitam países.
Evento 'Bote Fé' será realizado na tarde deste sábado na Praia de Iracema.


Cruz Peregrina e Ícone de Nossa Senhora viajam por países para divulgar Jornada Mundial da Juventude de 2013 no Rio de Janeiro.  (Foto: Divulgação/Arquidiocese de Fortaleza)Cruz Peregrina e ícone de Nossa Senhora viajam
por países para divulgar Jornada Mundial da
Juventude de 2013 no Rio de Janeiro.
(Foto: Divulgação/Arquidiocese de Fortaleza)
Católicos vão receber a cruz e o ícone de Nossa Senhora, símbolos da Jornada Mundial da Juventude, no evento 'Bote Fé', a partir das 15h deste sábado (3), no aterro da Praia de Iracema, em Fortaleza. Guadalupe Monteiro, de 39 anos, é uma das fiéis que aguardam os símbolos, em especial o ícone de Nossa Senhora. “O ícone é a palavra de Deus escrita em linhas e cores. É um termo grego empregado para a pintura do sagrado”, diz a baiana que é iconógrafa desde 1997 e já 'escreveu' cerca de 50 ícones com imagens da vida de Cristo e de santos.
O ícone de Nossa Senhora acompanha a cruz de madeira e 3,8 metros da Jornada desde 2003 e é um presente do então papa João Paulo II aos jovens. O símbolo é uma cópia do ícone que está na Basílica Santa Maria Maior, em Roma. “Tenho muita admiração e respeito pelo ícone da Jornada. É o ícone que está na primeira e maior basílica para Maria do Ocidente”, conta.

Os símbolos da Jornada Mundial da Juventude estão no Ceará desde o dia 18 de fevereiro e passaram por diferentes municípios até chegar à capital. Os realizadores do 'Bote Fé' esperam a presença de 100 mil pessoas neste sábado na Praia de Iracema. O evento terá shows da Banda Missionário Shalom, Zé Vicente, Irmã Kelly Patrícia e participação especial de Suely Façanha e Banda Dominus