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quarta-feira, 7 de março de 2012

Reflexao Segundo Domingo Quaresma


2º DOMINGO DA QUARESMA - 04 DE MARÇO DE 2012 - 
I. Faça uma leitura pausada das seguintes leituras: 
 
Gênesis 22,1-2.9-13.15-18 
Salmo: 115
Romanos 8,31b-34 
Marcos 9,2-10 
 
II. Reflexão:
Gênesis 22,1-2.9-13.15-18 

O objetivo original deste texto é insistir na supressão dos sacrifícios humanos, que foram praticados pelos povos que estavam estabelecidos na terra de Canaã, na época em que o Povo de Israel se estabeleceu neste território.  Podemos perceber claramente a mudança de vítima: Isaac é substituído por um animal. Deus não quer sacrifícios humanos e, óbvio, não quer que o ser humano seja sacrificado por condições injustas de vida.

O texto insiste também na figura de Abraão. Tal como aparece na Bíblia, Abraão é um modelo para o crente do Povo de Israel. Também para o cristão, Abraão pode ser um modelo que ajude o discípulo de Jesus na sua caminhada espiritual. Três características de Abraão chamam particularmente a atenção: a escuta da Palavra de Deusa obediência a Deus e a generosidade (Ele é capaz de entregar tudo). O leitor que meditar esta leitura deve examinar a partir destas características, a sua fé.

A leitura quer também sublinhar um aspecto importante na experiência da fé: a gratuidade. Essa gratuidade consiste na capacidade de se desprender daquilo que Deus tem dado (neste caso o Filho) para ficar só com Deus. Com frequência o crente pode fazer depender sua fidelidade a Deus, motivado pelos dons que d’Ele recebe. É preciso permanecer fiel a Deus não pelos dons que Ele dá, mas, porque Deus é Deus. Isto é o que quer afirmar o relato. A mesma lógica aparece proposta na primeira parte do livro de Jó.

Deve-se ter cuidado de pensar que Deus pede uma obediência cega por parte do ser humano. A obediência cega não é humana. A obediência deve ser razoada e razoável. Devemos obedecer aquilo que é concorde com os grandes valores e se ajusta a um projeto que protege a vida e a dignidade humana. É preciso, portanto, saber obedecer e também saber desobedecer.

É interessante perceber que o relato desabrocha numa bênção: Deus abençoa Abraão pela sua fé, fidelidade e obediência; Deus reorienta o sentido do sacrifício e transforma Abraão numa bênção para os outros. Esta mesma experiência acontece na verdadeira caminhada espiritual. Deus nos abençoa e nos transforma em bênção. Ser uma bênção para os outros é a nossa missão.

É importante não esquecer que para o leitor atual do relato, é claro que se trata de uma provação a qual Abraão é submetido, mas, se nos situarmos no lugar de Abraão deveremos captar que ele não sabe. 

Salmo: 115


O Salmo 115 quer reforçar o conteúdo proposto pela primeira leitura. Trata-se de uma ação de graças, que pretende motivar o crente para viver uma experiência de fé viva. O salmista passou por uma experiência de enfermidade grave, mas Deus o liberta. O salmista interpreta isto como um sinal do grande amor de Deus e canta. Aparecem no Salmo alguns aspectos chaves na caminhada da fé:

1.     A verdadeira fé não se esgota na dimensão ritual. O crente deve caminhar na presença de Deus. Só aquele que ama e pratica o bem caminha “na presença de Deus”. Na verdade sempre estamos na presença de Deus. O que compete ao crente é ter consciência desta presença e agir em harmonia com o Deus que se torna seu companheiro de vida. 

2.     O salmista mantém a fé ainda no momento da provação. A fé aparece – desde a experiência do salmista – como uma atitude profunda de confiança no amor de Deus, na sua misericórdia. 

3.     Deus não quer a morte dos seus filhos (aqui está o eco à primeira leitura).

4.     O crente compreende que diante do amor de Deus ele não pode senão ser seu servidor. Ser servidor de Deus e de seu projeto não é algo que deva ser entendido como uma perda de autonomia ou como diminuição da liberdade. É preciso então distinguir entre ser servidor e ser servil. Deus quebra as cadeias que escravizam a pessoa para que esta, gozando de sua liberdade, se torne servidora. 

5.     Toda esta experiência de amor e de passagem da escravidão para o serviço leva o salmista a cantar, a oferecer à Deus um sacrifício de louvor, mas esse sacrifício de louvor não é já o sacrifício de uma pessoa (rejeitado já pela primeira leitura), senão a maneira de viver na verdade, na justiça e no serviço. Esse é o verdadeiro sacrifício de louvor. Por isso, do que se trata não é de multiplicar os sacrifícios rituais e externos senão de “cumprir a Deus os votos”. Isto equivale a ser fiel a Deus que tem feito conosco uma aliança de amor.


Marcos 9,2-10 


O Evangelho completa a proposta desta semana convidando-nos a caminhar com Jesus e a subir com Ele a montanha santa, para viver a transfiguração. Este relato da transfiguração, que teologicamente se apresenta como uma PÁSCOA antecipada que prepara os discípulos para assumir o drama da paixão, está construído como um conjunto de elementos simbólicos que devem orientar a experiência espiritual:

·        A palavra transfiguração nos situa no terreno da transformação, do câmbio. Aqui se trata da transformação que Deus opera nas pessoas, da transformação que a autêntica caminhada espiritual deve suscitar. Notemos que esta transformação acontece na montanha (subir a montanha não é simplesmente um exercício físico. Na Bíblia é o símbolo da caminhada espiritual, da busca de Deus, do diálogo com Deus). Uma pessoa que vive uma forte experiência de encontro com Deus não pode não viver a sua transfiguração.
·        O texto começa indicando que a subida à montanha santa e a transfiguração acontecem seis dias depois de ter começado a viagem que terminará em Jerusalém com a Paixão (a entrega total). Estes “seis dias” trasladam o leitor ao texto do Livro do Gênesis em que Deus está criando. O que está acontecendo nesta caminhada de Jesus com seus discípulos e o que vai se revelar no Monte Santo com a transfiguração é uma nova criação. Deus em Jesus está operando uma nova criação.
·        Jesus chama três dos seus discípulos. Estes discípulos representam a comunidade toda; os discípulos de todos os tempos. Atenção ao número três. Cada discípulo (a) de Jesus deve se sentir chamado (a) a caminhar com Jesus, a participar do seu projeto (o Reino de Deus), a continuar a sua missão, a entrar na sua Paixão e correr o risco da doação total.
·        Insiste-se na cor branca que deslumbra os discípulos.  A cor branca simboliza a pertença a Deus, a integridade da mudança operada. O crente já não pertence ao mal senão ao bem, está a serviço do bem e orienta toda sua vida ao encontro do BEM SUPREMO, Deus.  As vestes brancas expressam externamente a vida interior. As vestes brancas simbolizam a vida que Deus dá e que o crente deve cuidar. Por isso, estas vestes brancas aparecem ritualmente na celebração do batismo. O compromisso é conservar brancas as vestes... permanecer unido a Deus.
·        Aparecem dois personagens importantes do Antigo Testamento (Moisés e Elias), que falam com Jesus. Trata-se de um encontro especial do Antigo Testamento com o Novo Testamento; das promessas com seu cumprimento e realização na pessoa de Jesus. Esta é uma maneira muito criativa de mostrar que tanto a Lei como os Profetas apontam para Jesus e n’Ele se explicita o seu verdadeiro sentido. Jesus é o definitivo profeta de Deus e aquele que promulga a Nova Lei, que já não consiste no Decálogo, mas no único mandamento do amor a Deus e ao próximo.
·        Pedro e seus companheiros querem fazer três tendas: A tenda é algo muito importante para as comunidades nômades. Lembremos que o Povo da Bíblia originalmente foi um povo nômade. Lembremos a tenda do encontro, plantada no centro da comunidade que caminhava seguindo a direção que Deus dava através de Moisés. As tendas, então, no relato da transfiguração, nos colocam em relação com a experiência do Êxodo: caminhar, guiados por Deus, para conquistar a liberdade e entrar na aliança de vida com Ele. O Povo guiado por Moisés é um grande grupo que caminha (vive) com Deus no centro. Isto é o que devemos viver. A importância desta tenda não estava nela mesma, senão no encontro com Deus. O mesmo pode ser dito dos nossos templos e das nossas capelas: o importante não é elas em si mesmas, mas no encontro com Deus...elas existem para nos ajudar a viver esse encontro.
·        Notemos a presença do número três (3): 3 seres celestiais (Moisés, Elias, Jesus); 3 discípulos (Pedro, Tiago e João), 3 Tendas (Êxodo). Três = comunidade, perfeição, plenitude. Trata-se da proposta de construir comunidade para procurar a perfeição no amor.   Este projeto não está feito; os discípulos devem trabalhar neste projeto ao descer da montanha, por isso não ficam no cume, mas vão ao encontro do povo...; devem enfrentar o risco da missão. Nós tambémdevemos descer da montanha (sair dos templos) para encontrar a comunidade (família-sociedade) e construir comunidades vivas no amor de Deus.   A experiência da transfiguração envia os discípulos a missão. Isto é válido também para nós, hoje.
·        E esta experiência está acompanhada pela nuvem: com este fenômeno o evangelista nos transporta aos relatos teofânicos do Antigo Testamento: Deus se torna presente e fala a comunidade. A nuvem significa chuva e vida, realidades ligadas a Deus e lidas como benção. A nuvem é, pois, sinal visível da presença de Deus que acompanha o povo pelo caminho; ainda mais, presença que mostra o caminho, a direção. E desta nuvem sai uma Palavra de revelaçãoEste é o meu filho muito amado, escutai-o. Trata-se de uma apresentação formal: Deus Pai apresenta seu Filho ao mundo e pede dos ouvintes uma atitude fundamental:escutar.  Escutar Jesus para aprender d’Ele a verdadeira sabedoria divina. Como estamos vivendo esta experiência? Trasladamo-nos ao livro do Deuteronômio em que Moisés interpela o povo dizendo: Escuta, Israel.

III. Para a reflexão pessoal

Para terminar, proponho alguns pontos que podem nos ajudar nesta caminhada espiritual da Quaresma.

1)     Acredito na Palavra de Deus do mesmo modo que Abraão acreditava nela?
2)     Sou capaz – como Abraão de entregar tudo a Deus?
3)     Assumo tarefa de subir a montanha para procurar em Deus a direção da minha vida?
4)     Como a experiência vivida na Igreja está me ajudando a entrar realmente num processo de transfiguração?

domingo, 4 de março de 2012

Jovens da Paroquia no Bote Fé


 
 
 


 



Fiéis recebem símbolos católicos em evento neste sábado em Fortaleza



Cruz e Ícone de Nossa Senhora da Jornada da Juventude visitam países.
Evento 'Bote Fé' será realizado na tarde deste sábado na Praia de Iracema.


Cruz Peregrina e Ícone de Nossa Senhora viajam por países para divulgar Jornada Mundial da Juventude de 2013 no Rio de Janeiro.  (Foto: Divulgação/Arquidiocese de Fortaleza)Cruz Peregrina e ícone de Nossa Senhora viajam
por países para divulgar Jornada Mundial da
Juventude de 2013 no Rio de Janeiro.
(Foto: Divulgação/Arquidiocese de Fortaleza)
Católicos vão receber a cruz e o ícone de Nossa Senhora, símbolos da Jornada Mundial da Juventude, no evento 'Bote Fé', a partir das 15h deste sábado (3), no aterro da Praia de Iracema, em Fortaleza. Guadalupe Monteiro, de 39 anos, é uma das fiéis que aguardam os símbolos, em especial o ícone de Nossa Senhora. “O ícone é a palavra de Deus escrita em linhas e cores. É um termo grego empregado para a pintura do sagrado”, diz a baiana que é iconógrafa desde 1997 e já 'escreveu' cerca de 50 ícones com imagens da vida de Cristo e de santos.
O ícone de Nossa Senhora acompanha a cruz de madeira e 3,8 metros da Jornada desde 2003 e é um presente do então papa João Paulo II aos jovens. O símbolo é uma cópia do ícone que está na Basílica Santa Maria Maior, em Roma. “Tenho muita admiração e respeito pelo ícone da Jornada. É o ícone que está na primeira e maior basílica para Maria do Ocidente”, conta.

Os símbolos da Jornada Mundial da Juventude estão no Ceará desde o dia 18 de fevereiro e passaram por diferentes municípios até chegar à capital. Os realizadores do 'Bote Fé' esperam a presença de 100 mil pessoas neste sábado na Praia de Iracema. O evento terá shows da Banda Missionário Shalom, Zé Vicente, Irmã Kelly Patrícia e participação especial de Suely Façanha e Banda Dominus

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O Tempo da Quaresma




Um tempo com características próprias.
A Quaresma é o tempo que precede e nos prepara para a celebração da Páscoa. Período de escuta da Palavra de Deus e de conversão, de preparação e de memória do batismo, de reconciliação com Deus e com os irmãos, de vivência mais frequente e aprofundada das armas dapenitência cristã: a oração, o jejum e a esmola (cf. Mt 6,1-6.16-18).
De maneira semelhante ao povo de Israel, que partiu durante quarenta anos pelo deserto para ingressar na Terra Prometida, a Igreja, o novo povo de Deus, prepara-se durante quarenta dias para celebrar a Páscoa do Senhor. Embora seja um tempo penitencial, não é um período triste e depressivo. Trata-se de uma época especial de purificação e de renovação da vida cristã para podermos participar com maior plenitude e gozo do mistério pascal do Senhor.
A Quaresma é um tempo privilegiado para intensificar o caminho da própria conversão. Esse caminho supõe que cooperemos com a graça divina para que o "homem velho", existente em nosso interior, morra gradativamente. De forma a rompermos com o pecado, que habita em nossos corações, e nos afastarmos de tudo aquilo que nos separa do plano de Deus, e por conseguinte, de nossa felicidade e realização pessoal.
A Quaresma é um dos quatro tempos fortes do ano litúrgico e isso deve ser refletido com intensidade em cada um dos detalhes de sua celebração. Quanto mais forem acentuadas suas particularidades, tanto mais intensamente poderemos viver toda sua riqueza espiritual.
Portanto, é preciso se esforçar, entre outras coisas, para entender e viver bem esse tempo:
- Para que se compreenda que, neste tempo, são distintos tanto o enfoque das leituras bíblicas (na Santa Missa praticamente não há leitura contínua), como os textos eucológicos (próprios e determinados quase sempre de modo obrigatório para cada uma das celebrações).
- Para que os cantos sejam totalmente distintos dos habituais e reflitam a espiritualidade penitencial, própria desse período.
- Por obter uma ambientação sóbria e austera, refletindo o caráter de penitência quaresmal.
Sentido da Quaresma
A primeira coisa a ser dita a respeito desse tempo litúrgico é que a finalidade da Quaresma é ser um tempo de preparação para a Páscoa. Por isso é definida “como caminho para a Páscoa”. Esse tempo não é um período fechado em si mesmo ou um tempo “forte” ou importante em si mesmo.
É, antes de tudo, um tempo de preparação para a Páscoa. O tempo quaresmal, como preparação para a Páscoa, se apoia em dois pilares: de um lado, a contemplação da Páscoa de Jesus; de outro, a participação pessoal na Páscoa do Senhor por intermédio da penitência e da celebração e da preparação dos sacramentos pascais –batismoconfirmação, reconciliação, Eucaristia-, com os quais incorporamos nossa vida à Páscoa do Senhor Jesus.
O ato de nos incorporarmos ao “mistério pascal” de Cristo supõe participar do mistério de Sua Morte e Ressurreição. Não esqueçamos que obatismo nos configura com a Morte e Ressurreição do Senhor. A Quaresma procura fazer com que essa dinâmica batismal (morte para a vida) seja vivida mais profundamente nesse tempo, para que o nosso pecado vá morrendo e sejamos ressuscitados com Cristo para a verdadeira vida, pois o Senhor nos assegura que se o grão de trigo morrer dará fruto.
A esses dois aspectos há que se acrescentar outro ponto mais eclesial: a Quaresma é tempo apropriado para cuidar da catequese e oraçãodas crianças e jovens que se preparam para a confirmação e a primeira comunhão e para que toda a Igreja ore pela conversão dos pecadores.
Vivendo a Quaresma
Durante esse tempo especial de purificação e santificação, contamos com diversos meios propostos pela Igreja que nos ajudam a viver a dinâmica quaresmal.
Antes de tudo, a vida de oração é condição indispensável para o encontro com Deus. Na oração, quando o cristão inicia um diálogo íntimo com o Senhor, a graça divina penetra em seu coração e, a semelhança da Virgem Maria, se abra à ação do Espírito cooperando com ela com sua resposta livre e generosa (cf.Lc 1,38).
Como também devemos intensificar a escuta e a meditação atenta à Palavra de Deus, a assistência frequente ao sacramento da reconciliação e a Eucaristia, e mesmo a prática do jejum, segundo as possibilidades de cada um.
A mortificação e a renúncia nas circunstâncias ordinárias de nossa vida também constituem um meio concreto para viver o espírito de Quaresma. Não se trata tanto de criar ocasiões extraordinárias, mas de saber oferecer aquelas circunstâncias cotidianas que nos são incômodas, de aceitar com alegria os diferentes contratempos que nos são apresentados no dia a dia. Da mesma maneira, o saber renunciar a certas coisas nos ajuda a viver o desapego e o desprendimento. Dentre as diversas práticas quaresmais que a Igreja nos propõe, a vivência da caridade ocupa um lugar especial. Assim nos recorda São Leão Magno: "Estes dias de Quaresma nos convidam de maneira apremiante ao exercício da caridade; se desejamos chegar à Páscoa santificados em nosso ser, devemos por um interesse especialíssimo na aquisição desta virtude, que contém em si as demais e cobre multidão de pecados".
Esta vivência da caridade deve ser vivida de maneira especial com aqueles a quem temos mais próximos, no ambiente concreto em que nos movemos. Assim, vamos construindo no outro "o bem mais precioso e efetivo, que é o da coerência com a própria vocação cristã" (João Paulo II)

campanha fraternidade 2012

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Reflexao primeiro domingo Quaresma


PRIMEIRO DOMINGO DO TEMPO DA QUARESMA – 26 DE FEVEREIRO DE 2012.

I. O TEMPO LITÚRGICO QUE COMEÇAMOS.

Lembremos que o tempo da Quaresma vai desde a Quarta-feira de Cinzas até a Eucaristia da Ceia do Senhor exclusive. Este tempo não deve ser vivenciado pelo cristão (pela comunidade) como um tempo que desabrocha na morte (isso seria chegar só até a Sexta Feira Santa), mas que desemboca na Vida Plena, na Ressurreição. Deve ser concebido, então, como um tempo de preparação para celebrarmos a Ressurreição de Jesus e, n’Ele, a nossa ressurreição. Neste tempo, somos convidados a incrementar nossa oração e a escutar e meditar – num clima de fé – a Palavra de Deus, que tem poder para iluminar nossa vida. É um tempo que nos conduz pelo caminho da conversão, por isso meditemos sobre nossa experiência pessoal do pecado e sobre o pecado social e ecológico no qual se encontra envolvida a humanidade toda. A Quaresma apresenta-nos um processo espiritual, impulsionado pela temática de cada um dos cinco domingos. É importante estar atentos a este processo, que começa com a experiência da tentação e termina com uma grande esperança na vida nova.

Na realidade, a Quaresma não é simplesmente um tempo litúrgico, mas, a vida dos cristãos, a vida cristã sintetizada em grandes eixos: a luta entre o bem e o mal; a fragilidade humana fortalecida pela graça;a aliança que Deus quer fazer e viver conosco; a luta contra a tentação; a necessidade de ter um projeto de vida (O Reino de Deus); o tempo, que nos é dado por Deus para realizar uma tarefa; o acompanhamento que Deus faz da história humana; a salvação de Deus e a Vida Plena. Tudo isto constitui a vida cristã.

II. AS LEITURAS PROPOSTAS PARA ESTE DOMINGO

Gênesis 9, 8-15

01. Esta leitura centra-nos no mistério da Aliança. Deus faz aliança com Noé, mas esta aliança não se esgota na sua pessoa, mas atinge a humanidade toda e a criação (simbolizada nos animais). Isto quer dizer que o relacionamento com Deus é uma experiência inclusive de salvação. O Salmo de resposta que propõe a liturgia da Palavra faz eco a esta experiência de aliança. Para os cristãos a aliança com Deus foi selada no Batismo. O Batismo é a aliança que compromete a vida toda em todas as dimensões da vida. Assim, ser cristão não é uma questão de horas ou de dias, mas um estilo de vida, uma maneira de viver, de sentir, de pensar, de se relacionar, de estar no mundo.

02. No texto, Deus quer deixar bem claro que seu propósito não é destruir a vida senão resgatá-la. Se, na história, o Projeto de Deus aparece desfigurado é por causa da humanidade, das opções, ações e omissões do ser humano.

03. A arca aparece neste texto como o símbolo (instrumento) de salvação proposto por Deus para resgatar a vida. Porém, note-se que este instrumento reclama o concurso (a participação) da humanidade (simbolizada na pessoa de Noé, que deve construí-la). Deus quer salvar a humanidade, mas o ser humano deve fazer a sua parte. No contexto do dilúvio a arca aparece como o espaço acolhedor e protetor da vida. A proteção da vida aparece como uma das tarefas fundamentais para cada pessoa, para todo crente. É preciso entrar numa lógica de cuidado da vida.

Salmo 24:

01. O Salmo nos lembra que Deus tem seus caminhos e que estes caminhos constituem uma proposta de vida para a humanidade. No conjunto da Bíblia descobrimos os grandes dinamismos existenciais que alimentam os caminhos de Deus: a misericórdia, a justiça, a verdade, a ternura, a compaixão, a fidelidade, a humildade, a solidariedade. De fato, alguns destes dinamismos aparecem neste Salmo 24. O que se quer é que cada cristão (cristã) assuma estes dinamismos e os transforme em valores que orientam sua vida.

02. Estes caminhos ficam sintetizados no Novo Testamento, numa pessoa: Jesus de Nazaré. Ele é para a comunidade cristã, o Caminho proposto por Deus, o Caminho que conduz a comunhão e ao encontro pleno com Deus.

03. Se a pessoa aceita Deus como seu referencial fundamental, então se compromete com seus caminhos, com SEU CAMINHO. Por isso, os Evangelhos estão confeccionados desde a lógica do seguimento de Jesus: Senhor, eu te seguirei onde você quiser.

1ª Pedro 3, 18-22

01. Nesta carta, o autor quer levar os cristãos (do seu tempo e do nosso) a meditar sobre a realidade do pecado e sobre a ação de Cristo, que libera do pecado e abre a possibilidade de abraçar um novo modo de viver.

02. É interessante notar que o texto desta carta explicita as duas dimensões constitutivas do ser de Cristo: sua humanidade e sua divindade.

03. Na leitura encontramos claramente definido um paralelo entre:

· Noé e Cristo.

· A Arca e o Batismo.

· As águas que destroem e as águas que purificam e salvam.

· O tema da VIDA aparece novamente. É o tema fundamental: os que entraram na arca salvaram a vida; aqueles que seguem os caminhos de Deus também entram na salvação de Deus. Jesus mesmo passa da morte à Vida Plena, porque Ele não só segue os caminhos de Deus, mas porque Ele mesmo é o CAMINHO. O Batismo deve ser entendido pelos cristãos como presente de Deus (Ele é que faz a aliança conosco) e como tarefa (essa aliança e a vida que ela aporta deve ser cuidada, cultivada pelo (a) discípulo (a) de Jesus).

04. Igualmente, o texto faz referência a paciência de Deus. Esta paciência está ligada ao seu amor, a sua misericórdia, a sua vontade de salvar. Como é a nossa paciência? Vale a pena perguntar também se há em nós uma real vontade de trilhar os caminhos de Deus, de acolher sua salvação, de nos comprometermos com Ele, de participar na Obra da Salvação.

05. O Batismo é apresentado claramente como uma experiência de salvação. Não deve ser reduzido a um simples rito. O Batismo torna-se experiência de salvação porque Deus age e porque a pessoa se compromete totalmente com Deus e com seu projeto.

06. Finalmente, o texto sublinha que – desde a perspectiva cristã – a chave está na pessoa de Jesus Cristo e no relacionamento que o discípulo vive com Ele.

Marcos 1, 12-15:

01. Atenção à ação do Espírito Santo: Neste texto Jesus é levado ao deserto pelo Espírito. Voltemos para o Livro do Êxodo. O deserto é o lugar(geográfico e teológico) onde o antigo povo de Israel aprendeu a ser dócil a voz de Deus. Ali aprendeu a assumir sua liberdade, a se conhecer, a se confrontar com a tentação e com o mal. Jesus aparece – no Evangelho – ligado a este acontecimento chave da história do Antigo Testamento. O que o evangelista quer afirmar é que Jesus é o novo libertador, aquele em que Deus realiza uma ação libertadora sem precedentes. Nem a Moisés pode- se lhe comparar. Afirmar que o Espírito levou Jesus ao deserto não significa que é o Espírito que provoca a tentação, mas que o Espírito conduz Jesus pelo caminho do confronto com o mal, pois a luta contra o mal é o Projeto de Deus. O ser humano na história, não pode fechar seus olhos a presença e ação do mal. Deve saber reconhecê-lo e se preparar para lutar contra ele. Não pode ser escravo do mal senão instrumento do bem. O deserto não é somente lugar de tentação, mas também lugar de aprendizagem no confronto com o mal.

02. O deserto na Bíblia também é uma realidade muito significativa.Nele se aprende uma espécie de pedagogia da vida: transitar com cuidado, ser solidário, viver com o necessário, estar a escuta, permanecer atento aos perigos,usar racionalmente os recursos, não perder o rumo. Também é um lugar de tentação (a sede pode afetar os sentidos e fazer ver visões). Na vida passamos também por desertos, mas não podemos fugir deles, porém, atravessá-los com cuidado.

03. O evangelista conecta Jesus com a Galileia. Porém não é simplesmente uma indicação geográfica. Galileia é o território onde Jesus desenvolveu sua missão; ali Ele optou pela vontade de Deus Pai e pela salvação da humanidade. Ali Ele gastou suas forças fazendo o bem. Galileia é o símbolo da missão e do compromisso sério. Por isso, nos relatos da Ressurreição, Jesus envia aos seus discípulos a mensagem de procurá-lo e encontrá-lo na Galileia. É na experiência da missão onde melhor podemos encontrar Jesus.

04. O evangelista Marcos não duvida em ligar esta experiência do deserto e da tentação ao número 40. O símbolo deste número tem a ver com o processo de um novo nascimento. Simbolicamente foram necessários 40 dias para que o grupo libertado por Deus e conduzido por Moisés pudesse atravessar o deserto e chegar, mudado, as portas da Terra Prometida. Do Egito saiu um grupo de escravos, mas, às portas da Terra Prometida chegou um povo constituído por pessoas libertadas, purificadas; um povo mais organizado e com desejo de servir totalmente a Deus. Aqui o número 40 tem a ver com todo este processo de criação de um Novo Povo; com uma proposta de libertação integral e plena. Deus enviou seu Filho para reconstruir a humanidade esmagada pelo pecado... Essa humanidade que (segundo o relato do Gênesis) perdeu o paraíso, por causa do pecado. Através do relato, o evangelista nos convida a crer que Deus (com seu amor) é mais forte do que o mal e que o ser humano apoiado em Deus pode vencer qualquer tentação. Para todos os cristãos deve ficar claro que a fé não é dada para que as tentações não existam, mas para enfrentá-las e superá-las.

05. Em definitivo o evangelista nos convida a um encontro profundo com Jesus. Nesse encontro podemos aprender o fundamental: a vida não tem sentido se ela não está ligada a um projeto valioso. Jesus – com sua vida – nos diz que esse projeto é o Reino de Deus. Por Deus vale a pena comprometer a vida e gastá-la. Esta é – na realidade – a proposta da Quaresma. Isto é o que devemos perceber no tempo. Por isso, devemos meditar com cuidado as Palavras de Jesus: O prazo está cumprido... acreditem e convertam-se.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Retiro de Carnaval dos Jovens


Nos dias 17,18,19 de fevereiro de 2012, aconteceu um retiro de carnaval para os jovens de nossa Paroquia. Teve louvores, adoração ao santíssimo,partilha e mais. O encerramento com a missa presidida pelo Padre Cristiano. O retiro foi organizado pelo o grupo de jovens ÊXODO, e paticiparam pelo menos  mais de vinte jovens. 

 
 

 
 




quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Horários: Missa de Quarta-feira de Cinzas

Horários 

Matriz Menino Deus: 
19:00 horas
Igreja Santa Luzia:
19:00 horas
Igreja N.S.Perpetuo Socorro:
19:00 horas
Comunidade Divina Missericordia:
17:00 horas

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

AVISOS

AVISOS

  • Continua a campanha das notas fiscais
  • Na segunda, dia 19/02 e terça dia20/02 não haverá funcionamento da Paroquia por motivo do feriado
  • Dia 21/02 quarto-feira de Cinzas, a celebração será no horário das 19horas. 
fonte: Matriz Menino Deus dia 19/02/2012 na missa das 19:00

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Conselho Pastoral

No dia 22 de janeiro de2012, ocorreu o conselho pastoral na casa de formação as 9:30horas, que discutiam sobre o planejamento pastoral e as metas que a paroquia devera fazer no ano de 2012. Estavam presente todos os membros de pastoral de toda a paroquia. Essa reunião ocorreu em dois domingos, dia 22 e 29/01, foi organizado pelo Padre Luis Gabriel pároco de nossa Paroquia.